
Após um tempo afastada das letras resolvo voltar. A ausência não foi intencional, falta de disciplina e de internet em casa. Mas cá estou eu. A barriga começa a crescer e, como não sinto enjôo nem nada que remeta a gravidez, apenas uma constante dor de cabeça, as pessoas pensam que não passa de lombriga. Estou com 15 semanas. Sabia que um bebê demora 40 semanas para nascer? Grosseiramente isso seriam 10 meses. Então não é bem um bebê, mas um bezerro. O meu/minha deve ser um bezerrinho mesmo, pois, cada vez sinto mais vontade de beber leite. Minha vida segue louca. Os trabalhos chatos e cansativos. Tanta espera para ser jornalista e sinto que nada mudou. Não me sinto jornalista, nem publicitária. Sinto uma falta imensa dos bancos da UECE e queria mesmo era terminar meu espanhol. Mas, agora, com o bebê, isso é um plano futuro. Tenho uma dissertação de mestrado para defender em breve e nem um saco para voltar a escrevê-la. Poderia aproveitar melhor o tempo. Poderia organizar melhor as coisas, novamente falta disciplina, dessa vez aliada a motivação. Quero fazer terapia, mas não começo nunca. Tenho, por recomendações médicas, que fazer natação ou caminhada, mas não começo nunca. Queria começar a ensinar, mas agora, definitivamente, não é hora. Mas está tudo bem. Continuo sonhando com uma “casinha branca lá no pé da serra pra nós dois morar”, pelo menos já tenho companhia certa, dentro da barriga. Acredito que tudo vai dar certo, sempre dá. Dia 10, se o bebê não for tímido, vou saber se é um menino ou uma menina. Sempre quis uma menininha, para enfeitar feito boneca, mas, hoje, quero apenas que seja saudável. Meninos e meninas tem o seu valor. Como toda geminiana sonhadora fico imaginado tudo, do sorriso à unha do pé. Como sou louca-esquizofrênica-ansiosa-nervosa, fico querendo fazer um ultrasom por semana para saber se está tudo bem. O bebê ainda não mexe, ou melhor, eu ainda não sinto mexer e isso me angustia. Queria senti-lo, o tempo todo. Há quem diga que a mãe tem sensações diferentes, que ela sabe, por exemplo, se é homem ou mulher, que sabe se está tudo bem... definitivamente esses poderes mágicos não caíram sobre mim. Sinto-me, na verdade, menos doce do que sempre fui, e, isso me incomoda. Talvez seja por que não tenho tempo de curtir a situação, e, depois de ter resolvido morar só em fevereiro último e ter gasto mundos e fundos para montar meu lindo ap, não tenho tido condições financeiras de curtir, isto é, de comprar coisinhas, fazer mimos, ao bebê e a mim mesma. Tenho tido um pouco de medo, de tudo. Agora tenho uma criança para cuidar e sinto-me insegura. Serei uma boa mãe? Como conciliar uma vida de trabalho como tenho, com um bebê... e se abrir mão de algum dos trabalhos, como ter grana para um dia comprar uma casa, para dar tudo de melhor para o meu/minha filho(a). A falta de um companheiro pesa. Não que ele não exista, mas, isso é outra história...
Sigo sonhando e acreditando, quem sabe eu ganho na mega sena, compro a casa dos meus sonhos e vou viver de rendimentos de aplicação. Nesse roteiro eu poderia ser professora, numa escolinha de ensino fundamental, lá no bairro das goiabeiras, quem sabe eu ajudava os “mininu” a tirar os bicho de pé.